Advento: Por que esperar?

 

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A espera está intimamente relacionada com a fé e a virtude da paciência. Ela é reforçada pela certeza de receber aquilo que procuramos, quando em Deus esperamos.

Santo Agostinho define que o esperar significa acreditar no amor, ter confiança nas pessoas, dar o salto no incerto e abandonar-se em Deus totalmente.

Acreditar, confiar, Amar

Acreditar, confiar, amar! É exatamente o que nos pede esse grande momento, quando a Igreja comemora a mais bela das esperas: o Advento.

A palavra tem sua origem no latim, adventus, que vem do verbo advenire, que significa chegada.

Um novo ano litúrgico abre-se para todo Orbe Católico:

Ele vem envolto por uma atmosfera de recolhimento, abandono, arrependimento e penitência, que antecede a "Grande Chegada

São quatro semanas de uma santa espera na qual preparamo-nos para o nascimento do "Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz", que Isaías descreveu: Jesus Cristo, Senhor Nosso!

No ar respiramos a atmosfera da suave e esperançosa penitência que é marcada pela ausência de flores nos altares, pelo silêncio do manaca1.jpgcanto do Glória nas missas e o não uso do incenso. E os sacerdotes revestem-se de roxo, a cor de esperança com tons de tristeza e da alegria colorida de expiações:

Exatamente como, nessa época, nas serras brasileiras, a natureza faz com os manacás e quaresmeiras, produzindo uma explosão de cores e flores com as quais anuncia a chegada do tempo da espera triste-alegre, do tempo doce-amargo do advento.

Que as nuvens chovam o justo...

Confia-se e canta! "Derramai, os céus, o vosso orvalho do alto, e as nuvens chovam o Justo": é um gregoriano que se intitula; Rorate Coeli.

Pede-se a Deus que não se lembre das nossas iniquidades, pois a cidade do Santuário está deserta... Evoca-se a letra Sião e lamenta a Jerusalém desolada, implora-se misericórdia.

Roga-se a Deus que perdoe nossos pecados, pois pecamos e nos tornamos imundos e caímos como folhas mortas ao vento. Repete-se muitas vezes o pedido para que seja enviado o Cordeiro o Dominador da Terra, e que as nuvens chovam o Justo...

A melodia desse hino gregoriano, considerado o mais belo do cristianismo, nos enche de uma esperança cheia de paz e glória. Especialmente quando as vozes entoam a promessa divina da vinda da nossa salvação:

Eu te salvarei, não tenhais medo, por que Eu sou o Senhor, teu Deus, o Santo de Israel, o teu Redentor...

Imediatismo e Medo, Espera e Paz do Natal

Hoje o homem tem medo da espera, pois a linguagem contemporânea o conduz para o imediatismo, o descartável, o banal. Tudo tende ao rápido, ao passageiro, ao superficial. Falta-lhe a esperança, um caminho seguro que o leve a essa doce paz, que só o Deus-Menino pode trazer: O Natal!

 

Por Lucas Miguel Lihue