A "ressurreição" da Igreja

 

Redação (Segunda-feira, 02-04-2018, Gaudium Press) A história da Igreja se assemelha a de Jesus: tem seus momentos de alegria, seus episódios de dor e também os espaços luminosos da "ressurreição".

Hoje podemos dizer que a Igreja percorre os caminhos da Paixão.

Por vários anos a Gaudium Press noticia que o cristianismo é a religião mais perseguida do mundo.

Por exemplo, a situação dos cristãos nos países de maioria islâmica é geralmente bastante difícil. Não é apenas pensar no calvário interminável de Asia Bibi e de muitos outros, falsamente acusados ou perseguidos das mais diversas formas.

Mas também a violência física não é a única forma de perseguição aos fiéis. A que existe em países 'pós-cristãos' pode ser ainda mais cruel: profissionais compelidos a realizar práticas contra a moral católica, lugares onde não se admite objeção de consciência, pais de família que veem como se quer forçar os seus filhos a frequentar aulas de 'educação' sexual degradantes, a ideologia de gênero que quer ser apresentada como dogma em todos os ambientes, e todo um mundo que é construído sem Cristo e contra Cristo.

Além disso, não podemos deixar de mencionar como elementos da 'paixão' da Igreja o mau exemplo dado por alguns de seus membros, e a confusão da doutrina que existe em muitos ambientes católicos. Porém...

No entanto, depois da Paixão vem a Ressurreição.

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Quando tudo parecia perdido, após a morte de Jesus, e a única coisa que impedia a debandada era a presença sacral, sublime e serena da Virgem...

Quando a transfiguração do Mestre havia sido apagada das memórias, e somente permaneceu o rosto ensanguentado do Redentor 'reivindicando' a Deus porque ele o havia abandonado...

Quando o medo e o terror invadiam os corações...

Foi então que a Madalena, o apóstolo Pedro e João, começaram a ver a grande realidade da ressurreição. E então o Mestre aparece em corpo glorioso. E depois sobe ao céu, mas lhes deixa o Espírito Santo, e com Pentecostes, a restauração dos corações e a certeza da vitória.

A Igreja também viverá a ressurreição.

A Igreja não precisa ressuscitar porque ela é imortal. Mas ressurgirá de todas as aparências de derrota que são desenhadas hoje em dia.

É uma ressurreição que já se anuncia, quando se contemplam os muitos corações cansados dos mitos do mundo, das miragens do demônio que nunca deu o que prometeu, seja com a sociedade de consumo ou com os vários tipos humanos de falsa felicidade que promoveu ao longo da história. O demônio já não tem mais mitos para apresentar.

Corações que anseiam por algo mais, um estado de coisas que talvez não saibam definir por inteiro mas onde sabem que Deus está presente e todas as coisas que condizem com Deus como as virtudes, os valores, a verdade, a bondade e a beleza.

Se vê essa 'ressurreição' da Igreja em um crescimento de interesse pela Fé, particularmente nos países do Oriente ou do chamado terceiro mundo. Se percebe essa ressurreição em muitos expoentes das novas gerações que estão encantados com a história da Igreja de sempre.

Se percebe essa 'ressurreição' nas muitas comunidades novas que surgem aqui, ali e mais além, e que possuem o dinamismo próprio da ação do Espírito Santo.

É a primavera que já nasce debaixo da neve. É o Reino da Virgem, anunciado por ela quando diz: "Por fim meu Imaculado Coração triunfará".

Por Saúl Castiblanco

Traduzido por Emílio Portugal Coutinho