Maio - Por que Maria?

 

Redação (Terça-feira, 07-05-2019, Gaudium Press) Muitas pessoas perguntam por que existe devoção a Nossa Senhora; por que rezar a Ela, fazer imagens em sua representação, construir capelas e igrejas em sua honra. Por quê tanto fervor por Maria? Isso não é um exagero?

Além do mais, se já temos Jesus - que é Deus - a quem rezar, por que pedir graças a Ela, que não é Deus, mas apenas criatura? Isso não é desviar a atenção do Filho de Deus, que se encarnou para salvar os homens? Por que então, Maria?

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Quem começou?

Para encontrar a resposta, não precisamos buscar em muitos lugares. Não é necessário ir aos livros, nem fazer grandes pesquisas.

Se quisermos saber quem deu início a esta prática, quem é o "culpado", por assim dizer, da imensa e secular devoção que todos os povos, de todas as raças e de todas as línguas têm a Maria, vamos encontrar apenas um nome: JESUS CRISTO.

Sim, Ele foi o primeiro devoto da Virgem Maria.

E um sacerdote de nossos tempos, o Pe. Pinard De La Boullaye, S.J., diz que "a devoção à Santíssima Virgem Maria começou na gruta de Belém, no primeiro sorriso que teve o Menino-Deus, respondendo ao sorriso de sua queridíssima e perfeitíssima Mãe, e não parou de crescer até o último minuto de sua morte na cruz!"

Os Evangelhos mentem?

E se alguém quiser ainda mais provas de como a devoção a Maria é querida pelo próprio Deus, e não é uma invenção dos homens, recorramos aos evangelhos. Sim, ali encontraremos muitas passagens que nos indicam a necessidade da devoção a Maria.

Vemos o Arcanjo Gabriel chamar-lhe de "cheia de graça" (Lc 1,28). Ora, para que um anjo conceda a alguém esse título, qual não é a imensidão de graças que deve possuir essa pessoa?

Logo a seguir vemos o mesmo anjo anunciar a Maria que Ela daria à luz um filho que se chamaria "filho de Deus". Ou seja, o próprio Deus escolheu Maria para n'Ela habitar durante todo o tempo da gestação, como em um sacrário puríssimo.

Podemos achar pouco isso?

Se lermos ainda o evangelho de São Lucas, veremos mais um prodígio realizado pela intercessão de Maria: ao visitar a sua prima Santa Isabel, o simples efeito de sua voz, ao atingir os ouvidos de sua parente, faz um bebê com apenas seis meses de gestação pular de alegria, e ali mesmo receber todas as graças da justificação.

Era a primeira graça que o Verbo encarando concedia no Novo Testamento, e quis fazê-lo através de sua Mãe. Eis o efeito da voz de Maria.

E temos mais:
São João (Jo 2,1) nos conta que, estando Jesus num casamento, na cidade de Caná, falta o vinho necessário para a festa. E pela iniciativa de Maria, e por sua intercessão junto a seu Divino Filho, é realizado o primeiro de inúmeros milagres da vida pública do Salvador.

Quantas maravilhas fez Jesus por causa de sua Mãe!

Que dizem os Santos?

E se queremos que os santos nos ensinem como a devoção a Maria foi instituída pelo próprio Deus, ouçamos São Luis Maria Grignion de Montfort:

"Deus reuniu todas as águas e chamou-as mar. Reuniu todas as graças e chamou-as Maria". E São Bernardo: "A Virgem Maria foi escolhida especialmente por Deus, antes de todos os séculos, para ser guardada pelos anjos e prometida pelos profetas para ser a Mãe de Deus e nossa Mãe".

E como deve ser a nossa devoção particular a Maria? Os santos assim nos ensinam:

"Tudo quanto a Virgem Santíssima pede em favor dos homens, obtém, com certeza, de Deus", diz Santo Afonso Maria de Ligório;
São Germano nos anima a confiar sempre na intercessão de Maria, pois "Jesus não pode deixar de ouvir Maria em todas as suas preces, pois quer obedecê-la em tudo, como um bom filho obedece a sua mãe".

Por fim, São Bernardo exorta-nos a invocá-la em nossas necessidades:  

"nos perigos, nas angústias, nas dúvidas, pensa em Maria, invoca Maria.
Que seu nome nunca se afaste de seus lábios, jamais abandone teu coração. Seguindo-A, não te transviarás; rezando a Ela, não desesperarás; pensando nEla, evitarás todo erro.
"Se Ela te sustenta, não cairás; se Ela te protege, nada terás a temer; se Ela te conduz, nunca te cansarás; se Ela te ajuda, chegarás ao fim".

Medo de imitar Jesus, amando-a...

Não tenhamos, pois, receio em amar a Maria, e sermos devotos seus de todo o coração e de toda alma. Pois nos diz ainda o Pe. Pinard que "Jesus quis ser nosso modelo em tudo, quis ser também modelo da piedade mariana.

E se queremos nos perguntar qual é o limite que deve existir para a devoção mariana, ei-la: amai Maria, se puderdes, tanto quanto Jesus A amou.

Sim, o modelo de piedade mariana é o próprio Filho de Deus!".

Por Padre Alessandro Scherma Schurig, EP

(JSG - Subtítulos nossos)