A importância da virtude da modéstia nos trajes

 

Redação (Terça-feira, 25-06-2019, Gaudium Press) A escritora norte-americana Susanna Spencer, Mestra em Teologia da Universidade Franciscana de Steubenville, dedicou um artigo escrito para National Catholic Register a elogiar a virtude da modéstia na vestimenta. Esta virtude, especialmente atual com a chegada do verão no hemisfério norte, vai além de uma série de normas ou proibições e propõem um caminho de desenvolvimento, facilitando as novas gerações a compreender e a apreciar esta faceta do testemunho de Fé. "Somente quando soube que a modéstia era uma virtude, encontrei uma resposta razoável e satisfatória sobre o que realmente significa vestir-se com modéstia", comentou Spencer.

"Para entender a modéstia no vestir como uma virtude, diferente de outras formas de modéstia, me dirigi a três Doutores da Igreja: São Tomás de Aquino, São Francisco de Sales e Santo Alfonso Ligório", relatou a escritora. Estes três Santos explicam como observar o ato em si mesmo, a intenção pessoal e as circunstâncias. "São Tomás de Aquino entendia a modéstia como parte da virtude da temperança, que é a virtude que nos ajuda a moderar nossos desejos", acrescentou Spencer. O Doutor Angélico definia a modéstia no vestir como "ser honesto em nossa vestimenta exterior. Isto se aplica a homens e mulheres, meninos e meninas. O que vestimos retrata aos demais sobre quem somos e o que estamos fazendo".

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O próprio São Tomás cita a outro Santo, Santo Ambrósio, que pregou que "o corpo deve ser adornado de forma natural e sem afetação, com simplicidade", de forma que "nada lhe falte a honestidade e a necessidade", sem aumentar nem acrescentar. Um conselho similar é exposto por São Francisco de Sales, que propõem ser limpo e ordenado. "É um insulto para aqueles que se associam vestir-se de forma inadequada, mas evite todo engano, vaidade, adorno e afetação. Aderir na medida do possível à modéstia e a simplicidade, que sem dúvida são os melhores ornamentos da beleza e a melhor expiação por sua deficiência".

"O ponto interessante aqui é que a vestimenta modesta é para homens e mulheres e deve enfatizar a beleza que Deus lhes deu", expôs Spencer sobre estes conselhos. "Se a modéstia é uma forma de temperança, então alguém é imodesto no vestir quando se veste sem moderação". Isto inclui ter em conta os costumes e o estado de vida, vestindo com roupa adequada ao lugar no qual se encontra e o que se está fazendo, procurando encaixar com propriedade sem chamar a atenção sobre si mesmo.

Outro aspecto desta visão da modéstia no vestir é procurar "não ter um apego desmesurado ao que usamos", dando um devido lugar ao traje, sem gastar mais do que se deveria, colocar demasiada ênfase na comodidade do que se usa ou empregar demasiado tempo prestando atenção ao vestido e a própria imagem. "Poderíamos estar demasiadamente preocupados acerca de se nossa roupa está na moda", indicou Spencer. "Ou nos movemos na direção oposta e somos completamente preguiçosos acerca de como nos vestimos".

A pessoa deve cuidar de sua intenção ao selecionar sua veste, para evitar provocar os outros até o pecado da luxúria, mas também para satisfazer certas obrigações particulares como comprazer ao seu cônjuge e vestir de uma maneira que manifeste seu afeto, ou o vestir-se graciosamente como parte da procura de um pretendente, seguindo o conselho de São Francisco de Sales: "A esposa pode adornar-se para comprazer ao seu esposo, e é lícito que as donzelas desejem agradar aos seus amigos".

"Mas aquelas mulheres que não tem marido nem desejam ter um, ou que estão em um estado de vida incompatível com o matrimônio, não podem sem pecado desejar dar prazer luxurioso àqueles homens que as veem, porque isto é incitá-los a pecar", esclareceu São Tomás de Aquino sobre esta matéria. "E se efetivamente se adornam com esta intenção de provocar a outros a cobiçar, pecam mortalmente; enquanto que se o fazem a partir da frivolidade, ou a partir da vaidade por causa da ostentação, nem sempre é mortal, mas às vezes venial. E o mesmo se aplica aos homens a este respeito".

A chave da interpretação é a intenção da pessoa, explicou a escritora, e Santos como Santo Alfonso Maria Ligório fazem esclarecimentos sobre como o costume local afeta o que pode ser considerado modesto ou imodesto. "Se uma mulher está se vestindo de acordo com os costumes locais e não conhece ninguém em particular a quem possa conduzir à luxúria e, ainda, não tem a intenção de levar a ninguém à luxúria com a forma em que se veste, então ela não está pecando", expôs a autora. "É quase impossível fazer regras duras e rápidas sobre o que é modesto quando os costumes locais e as circunstâncias mudam constantemente. Mas uma aplicação razoável de todos estes princípios a cada situação deveria ajudar a tomar uma decisão moral sobre o que vestir-se".

Mas além de evitar induzir ao pecado, a virtude da modéstia fomenta a ordem e a limpeza, e o fazer-se presente na sociedade de uma maneira bela e decorosa. "Talvez mostre a Deus mais reverência que uma mulher vista uma bela blusa sem mangas no lugar de uma camiseta estampada, e seja mais modesto que um homem use uma camisa com gola que uma camisa que apoie a uma equipe esportiva", concluiu Spencer. (EPC)