Desaparece da Terra o caos, e do Céu desce a ordem

 

Redação (Quinta-feira, 04-07-2019, Gaudium Press) Nosso Senhor fez diversas profecias relativas ao fim do mundo; algumas delas se aplicam à humanidade de nossos dias e também à Santa Igreja.

Desaparece da Terra o caos, e do Céu desce a ordem-Foto Museu Cívico - Pádua.jpg

Estrelas caem do céu

Disse Ele a seus discípulos:
"Naqueles dias, depois da grande tribulação, o Sol vai se escurecer, e a Lua não brilhará mais, as estrelas começarão a cair do céu e as forças do céu serão abaladas" (Mc 13, 24-25).

Santo Agostinho afirma que os fenômenos da natureza acima descritos "devem ser entendidos como se referindo à Igreja, pois esta é o sol, a lua e as estrelas; ela tem sido chamada de formosa como a Lua, eleita como o Sol, e não brilhará nessa época, devido à furiosa perseguição".

No Apocalipse há um trecho semelhante ao escrito por São Marcos (cf. Ap 6, 12-14). Comentando aquele Livro profético, o Padre Bartolomeu Holzhauser (1613-1658) tece considerações que podem ser aplicadas à época atual.

As estrelas que caem do céu, diz ele, "são os personagens eminentes no Reino de Cristo - a Igreja - os quais, tomados pelo temor da morte e dos suplícios, caíram na idolatria".

A respeito da idolatria, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, em artigo publicado pela Folha de São Paulo, em 1-1-1979, escreveu que existiam então diversos ídolos, entre os quais, "a saúde, o sexo, a máquina"; e Monsenhor João Clá afirma que o dinheiro é o "deus de todos os tempos".

Inebriamento pelo computador, celular e internet

O Divino Mestre também afirmou: "Quando ouvirdes falar de guerras e revoluções, não fiqueis apavorados. É preciso que estas coisas aconteçam primeiro, mas não será logo o fim. [...] Um povo se levantará contra outro povo, um país atacará outro país. Haverá grandes terremotos, fomes e pestes em muitos lugares; acontecerão coisas pavorosas e grandes sinais serão vistos no céu" (Lc 21, 9-11).

Não parece uma descrição do que ocorre no mundo de hoje?

"Tomai cuidado para que vossos corações não fiquem insensíveis por causa da gula, da embriaguez e das preocupações da vida, e esse dia não caia de repente sobre vós; pois esse dia cairá como uma armadilha sobre todos os habitantes da Terra" (Lc 21, 34-35).

Explica Monsenhor João Clá que, falando de corações insensíveis, o Redentor "faz referência àquelas almas que, mesmo não negando formalmente a Fé, já não se enlevam, não vibram, nem se comovem com as mais belas doutrinas, cerimônias ou acontecimentos, ficando incapazes de reconhecer neles a voz ou a presença do Salvador".

A gula não se refere apenas à comida.

"Existe também uma gula dos olhos: a excessiva curiosidade; ou dos ouvidos: o desejo imoderado de [...] querer estar a par de todas as novidades. Para não estender demais a lista dos vícios correlatos à gula, mencionemos apenas mais um, e dos mais perniciosos: o anseio de chamar a atenção sobre si."

E a embriaguez tem outros significados, além da intemperança no beber.

"Em nossos dias, bem poderia esse vício ser tomado como símbolo do inebriamento com as coisas materiais como o automóvel, o computador, o telefone celular, a internet e outros aparelhos que são úteis e até necessários, mas que, usados sem o controle da virtude da temperança, contribuem para tornar o coração insensível às realidades sobrenaturais."

Os Anjos dispostos como um exército em ordem de batalha

Eis como o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira imagina o fim do mundo:

"Um dia comum - como foi hoje e deverá ser amanhã -, de repente, devido a uma explosão atômica, todo mundo morre e ficam só os justos. Estes, pasmos com aquilo, mas ultra-aliviados por terem desaparecido da Terra o caos e o horror, subitamente ouvem harmonias celestes, sentem perfumes celestiais, veem cores inimagináveis! Fixam o firmamento e notam que a própria ordem baixa do Céu!

"Os Anjos esplendorosos, irradiantes de beleza, de ordem em todo o seu ser e dispostos como um exército em ordem de batalha! Bem se pode imaginar a grandeza desse espetáculo!

"Sem dúvida, aqueles homens, até então horrorizados com o caos e a desordem do fim do mundo, hão de se rejubilar extremamente, de um modo máximo, vendo-se olhados com tanta bondade e alegria por esses Anjos que vão descendo.

Aparecem Nosso Senhor e Maria Santíssima

"Em determinado momento, faz-se ouvir a voz de Nosso Senhor e os corpos todos ressuscitam. O gáudio dos últimos homens fiéis chega ao máximo quando veem o mais maravilhoso dos maravilhosos: a Humanidade Santíssima de Nosso Senhor Jesus Cristo.

"É claro! Não há figura que os Anjos possam fazer, nem gáudio ou delícia alguma que possa representar o que é Nosso Senhor Jesus Cristo, Homem-Deus, em Quem resplandece a natureza humana na sua perfeição, ligada hipostaticamente ao Verbo, Segunda Pessoa da Santíssima Trindade.

"Então a glória é máxima, mas transparece para os sentidos do homem através do Corpo sacrossanto de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só este gáudio vale mais do que todas as alegrias que os Anjos possam proporcionar aos homens no Céu! Nós já julgávamos inimaginável o júbilo causado pelos Anjos, entretanto muito maior é a felicidade proporcionada pela perfeição de Nosso Senhor Jesus Cristo que aparece, assim, aos homens.

"Entretanto, diz a Teologia: Caro Christi, caro Mariæ - a Carne de Cristo é a carne de Maria. Nós não podemos tecer adequadamente essas considerações sem pensar n'Aquela que, tendo a natureza humana, com um corpo já ressuscitado, está gloriosamente no Céu, aonde foi levada pelos Anjos. Não é possível que Maria Santíssima não esteja resplandecendo no seu corpo em toda a glória possível.

"São Luís Grignion de Montfort diz bem que Deus fez para os homens o Paraíso terreno, para os Anjos, o Paraíso celeste - onde também nós devemos chegar -, mas para Si fez um Paraíso que é Nossa Senhora."

Peçamos à Santíssima Virgem que elimine todos os nossos apegos e faça com que estejamos voltados para esses grandiosos panoramas.

Por Paulo Francisco Martos
(in "Noções de História Sagrada' - 200)


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1 - SANTO AGOSTINHO, apud SÃO TOMÁS DE AQUINO. Catena Aurea. In Lucam, c.XXI, v.25-27.
2 - HOLZHAUSER, Bartolomeu. Interprétation de l'Apocalypse, renfermant l'histoire des sept âges de l'Église Catholique. Paris : Louis Vivès.1856. v. I, p. 294.

3 - CLÁ DIAS, João Scognamiglio. EP. O inédito sobre os Evangelhos. Vaticano: Libreria Editrice Vaticana; São Paulo: Instituto Lumen Sapientiae, 2014, v. IV, p. 520.

4 - CLÁ DIAS, João Scognamiglio. EP. O inédito sobre os Evangelhos. Vaticano: Libreria Editrice Vaticana; São Paulo: Instituto Lumen Sapientiae, 2012, v. V, p. 31.32.33.

5 - CORRÊA DE OLIVEIRA, Plinio. Os Anjos no Céu empíreo e durante o Juízo final. In revista Dr. Plinio, São Paulo. Ano XX, n. 232 (julho 2017), p. 29-30.