Adorar… Como e para que?

 

Redação (Sexta-feira, 30-08-2019, Gaudium Press) Muitos fiéis estão desmotivados para decidir-se a ser adoradores. Dispõem de tempo para aproximar-se da Eucaristia, mas não dão o passo; um passo que poderá ser ocasional, muito de vez em quando, ou que importe em um compromisso formal de passar, cada dia ou cada semana, um tempo junto ao sacrário ou a custódia onde está presente o Senhor na Hóstia consagrada.

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Quais são os motivos dessa desmotivação? Na maioria dos casos, parecem ser duas as razões ou objeções que se esgrimam, seja conscientemente como de forma apenas implícita.

Uma é: Para que adorar? Qual é a utilidade de dar esse tempo à adoração, tempo que poderia ser utilizado em outras coisas boas, úteis e até necessárias?

E a segunda objeção se apresenta assim: De que maneira adorar? Não tenho essa experiência e não estou instruído sobre como portar-me neste ato de culto que parece difícil e mais próprio de almas contemplativas!

Abordemos ambas inquietudes e respondamos as objeções.

1.- Para que adorar? Por duas razões: para acolher as graças que Jesus nos quer conceder nesse tempo de intimidade com Ele, e para homenageá-lo devidamente, à vista de tantos benefícios recebidos.

É claro que é mais importante receber o que Deus nos quer dar, que tributar-lhe nosso amor agradecido. Porque o amor que baixa é superior, infinitamente superior, ao amor que sobe. E em que consiste o amor de Deus? Em que Ele nos amou primeiro (1 Jo 4, 10). Ainda que a gente não tenha a vivência desta realidade, temos que saber que importa mais ser amado por Deus que amar-lhe. Vou adorá-lo para beneficiar-me de seu amor!

2.- Como adorar? Não se trata aqui de saber se de joelhos ou sentado, se em silêncio ou cantando, se rezando ou lendo... etc. Isso dependerá das circunstâncias de tempo e lugar.

Para ser um bom adorador, o ideal é tratar de seguir um itinerário no qual entra muito mais a vontade que a sensibilidade. E, é claro, o sopro da graça de Deus "que nos amou primeiro"...

Trata-se de concentrar-se apagando os motores do ruído mundano e do absorvente trabalho cotidiano, e colocar-se em rota através de sete etapas ou estações que se detalham mais abaixo. Se pode levar à adoração um papel onde estejam escritas estas etapas para que sirva de ajuda; uma espécie de ‘cola'. Só que esta ‘cola' não é para cometer uma fraude, copiando o que deveria ter sido estudado para o exame... mas uma ajuda útil para dar à adoração um rumo adequado.

Este seria o itinerário de um adorador zeloso:

a.- Humilhar-se, reconhecer nosso nada junto ao Senhor de toda criação.

b.- Adorá-lo em suas três Divinas Pessoas (porque onde está o Filho está o Pai e o Espírito Santo) adorar-lhe por tudo quanto fez, faz e fará.

c.- Agradecer-lhe por tantas coisas. Por tudo! E especialmente por ter instituído este Sacramento para nos fazer companhia;

d.- Pedir perdão por nossos pecados, pelos pecados do mundo, e rezar em reparação;

e.- Dar-lhe presentes: bons propósitos, orações, sacrifícios... Ele se deu por inteiro; retribuamos de coração.

f.- Valorizar (dizer-lhe que valorizamos) sua humildade, sua paciência, sua obediência, sua disponibilidade permanente, seu estado de "prisioneiro" e de solidão em que tão aos poucos se encontra... por amor à nós;

g.- Por fim, colocar-nos em Suas mãos, consagrar-nos à Ele em seu mistério eucarístico, para que não sejamos mais nós mas Ele que viva em nós.

Este exercício piedoso poderá durar muito ou pouco tempo, depende do dom de Deus e do empenho que se tenha.

Bem entendido, a adoração deve fazer-se por meio de Maria Santíssima, medianeira de todas as graças, segundo o ensinamento de São Luis Maria Grignion de Montfort que nos diz que devemos fazer todas as coisas por, com, em e para Maria.

Não é verdade que tendo considerado estes pontos se dispõem melhor para a adoração? Só de estar diante do Santíssimo sem rezar nem meditar já é benéfico, quanto mais colocar intenções e esforçar-nos para dar sentido ao encontro!

Há outro exercício que pode ajudar-nos: é fixar durante algum tempo o olhar na Hóstia Santa, resistindo à tentação de prestar atenção em outras coisas que nos rodeiam e combatendo a preguiça espiritual que nos convida à dispersão e/ou ao sonho. Nosso Senhor nos olhará a partir da Eucaristia comprazido; Ele que aos poucos está sozinho e como que prisioneiro nas espécies consagradas.

Concluído o tempo de adoração, sairei convencido de não ter perdido meu tempo; pelo contrário: seguro de ter feito um valioso investimento que pesará decisivamente no dia do juízo. "Estive preso e me visitastes"... (Mt. 25, 36)

Assunção, setembro de 2019

Por Padre Rafael Ibarguren EP - Assistente Eclesiástico das Obras Eucarísticas da Igreja.

Traduzido por Emílio Portugal Coutinho.