Lei australiana quer obrigar padres a revelar segredo de confissão

 

Austrália - Camberra (Segunda-feira, 11-06-2018, Gaudium Press) O governo da Austrália está criando uma nova lei na qual os sacerdotes católicos serão obrigados a quebrarem o segredo do sacramento da confissão para denunciar abusadores de crianças.

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Dom Christopher Prowse de Canberra e Goulburn, Arcebispo de Canberra e Goulburn, denunciou o caso em um artigo que escreveu ao 'Camberra Times', no qual diz que "os Padres estão obrigados por um voto sagrado a manter o segredo da confissão, pois sem aquele voto, quem estaria disposto a se livrar de seus pecados?".

"O governo ameaça a liberdade religiosa tentando mudar o sacramento da confissão enquanto não melhora a segurança das crianças. Infelizmente, quebrar o segredo da confissão não impedirá o abuso e não ajudará nossos esforços contínuos para melhorar a segurança das crianças nas instituições católicas", continuou o Arcebispo.

A Assembleia Legislativa aprovou uma lei exigindo que as organizações religiosas denunciem quaisquer alegações, ofensas ou condenações de abuso infantil dentro de 30 dias. A lei se estende ao segredo de confissão, tornando ilegal que os sacerdotes não relatem a confissão de um crime de abuso sexual infantil.

Apesar de afirmar que muitas das cláusulas da nova lei estão atrasadas, Andrew Wall, membro da Assembleia Legislativa do Território da Capital da Austrália, discorda de sua extensão ao confessionário, pois isso "interfere significativamente na liberdade de associação de um indivíduo, liberdade de expressão e liberdade de direitos religiosos".

Vicki Dunne, católica e membro da Assembléia Legislativa do Território da Capital da Austrália, também observou que um sacerdote que viola diretamente o "Segredo de Confissão" incorre em uma excomunhão "latae sententiae" reservada à Sé Apostólica, que só pode ser levantada pelo Papa.

O Catecismo da Igreja Católica ensina que "todo sacerdote que ouve confissões é obrigado, sob penas muito severas, a manter sigilo absoluto sobre os pecados que seus penitentes confessaram a ele". (EPC)