Decálogo: "radiografia" de Cristo, diz Papa Francisco

 

Cidade do Vaticano (Quarta-feira, 28-11-2018, Gaudium Press) Com a a Audiência desta quarta-feira, na Sala Paulo VI, o Papa Francisco chega ao final da série de catequeses nas quais tratou, desde o último dia 23 de junho, dos Mandamentos da Lei de Deus.

Diante dos 7 mil presentes na Sala, Francisco recordou que "partimos da gratidão como base da relação de confiança e de obediência: Deus não pede nada antes de ter dado muito.

Deus "nos convida à obediência para nos resgatar das idolatrias que tanto poder têm sobre nós", pois nos esvaziam e nos escravizam, enquanto que, aquilo "que nos dá estatura e consistência é a relação com Ele, que em Cristo nos torna filhos a partir de sua paternidade".

Beleza da fidelidade, generosidade e autenticidade

Francisco destacou: "Isto implica em um processo de bênção e de libertação, que são o repouso autêntico":

"Esta vida libertada torna-se a aceitação da nossa história pessoal e nos reconcilia com aquilo que vivemos da infância ao presente, fazendo-nos adultos e capazes de dar a justa medida às realidades e às pessoas de nossa vida. Por este caminho entramos na relação com o próximo que, a partir do amor que Deus mostra em Jesus Cristo, é um chamado à beleza da fidelidade, da generosidade e da autenticidade".

Desejos novos, semeados pela Graça em um Coração novo

Nós temos necessidade, disse o Papa, de "um coração novo", que se realiza pelo "dom de desejos novos", que são "semeados em nós pela graça de Deus, em particular pelos Dez Mandamentos levados ao seu termo por Jesus", como ensinou no Sermão da Montanha.

"Na contemplação da vida descrita no Decálogo - uma existência agradecida, livre, autêntica, que abençoa, custódia e amante da vida, fiel, generosa e sincera - nós, quase sem perceber, nos encontramos diante de Cristo".

Decálogo: "radiografia" de Jesus Cristo

Para Francisco, o Decálogo é como um retrato de Jesus: "é a sua "radiografia", o descreve como um negativo fotográfico que deixa aparecer a sua face - como no Santo Sudário".

"O Espírito Santo fecunda o nosso coração, colocando nele os desejos que são um dom seu, os desejos do Espírito. Os desejos do Espírito, desejar segundo o Espírito. Desejar no ritmo do Espírito, desejar com a música do Espírito". "E o Espírito gera uma vida que, seguindo esses desejos, suscita em nós a esperança, a fé e o amor", afirmou o Pontífice.

Lei que torna vida, a morte pelo pecado

Como descobrir o que significa que "o Senhor Jesus não veio para abolir a lei", mas levá-la ao seu cumprimento, para fazê-la crescer":

Com o Espírito Santo, a lei torna-se vida, se a lei segundo a carne era uma série de prescrições e de proibições, "segundo o Espírito, a lei torna-se vida, "porque não é mais uma norma, mas a própria carne de Cristo, que nos ama, nos procura, nos perdoa, nos consola e no seu Corpo recompõe a comunhão com o Pai, perdida pela desobediência do pecado":

A Negatividade que traz Vida

"E assim (...), continua o Papa, a negatividade na expressão do Mandamento: "não roubar, não insultar, não matar", aquele "não", transforma-se em uma atitude positiva: amar, dar lugar aos outros no meu coração, desejos que semeiam positividade. E esta é a plenitude da lei que Jesus veio nos trazer".

Continuando, o Pontífice explico que aomente em Cristo o Decálogo deixa de ser condenação e torna-se "a autêntica verdade da vida humana, isto é, desejo de amor.

Aqui nasce um desejo de bem, de fazer o bem, desejo de alegria, de paz, de magnanimidade, benevolência, bondade, fidelidade, brandura, domínio de si. Daquele "não" passa-se a este "sim". Atitude positiva de um coração que se abre com a força do Espírito Santo".

O que é Abrir a Porta para a Salvação

"Quando o homem segue o desejo de viver segundo Cristo, então está abrindo a porta à salvação (...). Deus Pai é generoso, tem sede que nós tenhamos sede dele".

Em contraposição aos maus desejos que arruínam o homem, "o Espírito coloca em nosso coração os seus santos desejos, que são o germe da vida nova".

O que é a Vida Nova no Espírito

Continuando suas palavras o Papa Francisco disse que a Vida Nova "não é um titânico esforço para sermos coerentes com uma norma, mas o próprio Espírito de Deus que começa a nos guiar até os seus frutos, em uma feliz sinergia entre a nossa alegria de ser amados e a sua alegria de amar-nos. Encontram-se as duas alegrias."

E isto é o que Decálogo para nós Cristãos, afirma Francisco para concluir:
"Contemplar Cristo para abrir-nos a receber o seu coração, os seus desejos, o seu Santo Espírito". (JSG)

(Da Redação Gaudium Press, com Informações Vatican News)